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feriano
Groove armada pra dar uma esquentada no dia que começou friorento
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Tchubiruba-ruba Tchá!
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tandan, tandandan tandandan

retuíte

feriano
A @Elvi_ra Retuitou a @Bet100. Ela foi retuitada pelo @gustavo00, o cara do avatar amarelo, e ele recebeu retuíte do @_Amadeo_. O @_Amadeo_ tuitou como se fosse dele aquela frase, e foi retuítado pela @isa_legs, pelo @psicotropicows, pela @avantajadinha e pelo@marceloblás. Naquele dia, muita gente já tinha fornecido retuíte aquela frase genial, aos risos contrariados, ou num pequeno choro contido. Algumas celebridades retuítaram, o que deu mais notoriedade ao dito, que correu a interwebs relampagueando e chispando pelos monitores. Na manhã de sábado em que @Bet100 acordou a custo, relutando pra sair da cama, viu na tela do notebook ligada sobre a cômoda que tinha uma DM, uma mensagem privada. Abriu a aba do programinha tuiteiro e sentiu o sangue escorrer-lhe pra fora das faces, empalidecendo. Depois achou que era bobagem, e retuítou a DM. A @Elvi_ra, assustada, retuítou também, e mandou mensagens a amiga querendo saber se ela estava bem. Novos retuítes preocupados espalharam aquela DM. O usuário que mandou a mensagem inicial estava desativado, e tinha um nick estranho, que parecia em outra língua, impronuciável. @bet100, a Elisabeth Teixeira morre de infarto fulminante do miocárdio naquele mesmo dia, o que é estranho pois aparentemente era uma pessoa bem saudável apesar de preguiçosa. @Elvi_ra , a Gilberta da Silva Magalhães, recebeu a Dm do impronunciável no dia seguinte, e teve um AVC enquanto tomava banho. Em progressão geométrica, as mensagens foram chegando aos retuítadores, e a fama do acontecido começou a aparecer em 140 caracteres. Pânico generalizado tomou conta da tuítosfera. Algumas pessoas tentaram não abrir mais suas contas ou cancelá-las, achando que fugiriam do destino que a mensagem privada lhes dispunha, mas caiam mortos da mesma forma. Ninguém tinha certeza da ordem, mas todos estavam morrendo. Na manhã do dia 25 de janeiro, praticamente todas as pessoas que tinham acesso a internet tinham recebido DM provindas daquele nome esquisito de conta cancelada. Todos sem excessão caíram mortos, causas diferentes, mas todas fulminantes. As pessoas comentaram em polvorosa que era coincidência demais tanta gente morrendo junta, que era um espírito do mal que possuiu o twitter, e fizeram até um programa na BBC com depoimentos de especialistas em demonologia e redes sociais. E com pessoas que se dizem especialistas em aliens. Ou em vampiros. E padres e pastores, todos com sua teoria conspiratória. E a frase? Um instante, retuíto ela pra você, qual o seu nick?

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Pensamentos mecânicos

feriano
As ruas e os carros meio que se misturavam numa tinta grudenta. eles escorriam juntos pelos batentes do mundo. Há.
Ele tremia, nu, olhando praquela confusão de cores molhada de lágrimas. De buzinas tomadas de pânico. Virou a cabeça num milisegundo retomando as emoções que havia deixado escapar. Os olhos arregalaram e uma fina película azul cobriu a íris acrescentando sensores de visão e eliminando as últimas gotas salgadas que restaram. O maxilar abriu, houve um barulho baixo de mecanismos de pressão se acomodando. Ele abaixou-se, tomando uma posição felina que foi reconhecida no ato pelo outro que agora sabia que ele ia saltar. O outro, que era quem o homem nú havia percebido de antemão, não tinha olhos biônicos e muito menos superpercepção, mas um trabuco que fazia um estrago danado quando apertado, e isso já estava sendo feito no momento em que foi percebido. Os cabelos negros do homem açoitaram sua cara com violência enquanto ele se desviava do disparo de bazuca dado em sua direção, virando-se no ar pra preparar a queda e a fuga, mas foi abatido por outro tiro vindo de cima, de outro que também o observava. Ele caiu.

Sentiu mais tiros nas costas, a queima roupa, os dois velhotes saem de seus pontos de observação e aproximam-se. Analizam as partes metálicas espostas enquanto ele se contorce ao chão, uma montanha de músculos, ossos metálicos e órgãos gelatinosos agonizantes cheios de eletrodos. Tocava "Sweet Cherry Pie" do Whatesnake naquele momento, vinha de algum apartamento próximo, de onde podiam se ouvir também risadas e gemidos. Um dos observadores encostou uma arma de ponta metálica e rombuda no crânio que se debatia no chão.




Ian lembrou-se de Carol e das ultimas notas musicais que ouviu-a tocando ao piano. Sabia que não havia Carol alguma, que aqueles eram dados remanescentes daquele corpo, ou de outro que já tivera e que não lhes pertenciam essas memórias. Mas ante a possibilidade do pulso magnético que lhe fritaria as conexões inutilizando sua IA, tentou com um desespero que não conhecia rastrear algo pra pensar de importante antes do final, não que isso realmente importasse, mas parecia importar. E Só conseguiu pensar numa memória que queria pra si, e a tomou, abraçando a prima postiça pelas costas e dizendo como era bela.

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sonho

feriano
Ela ergueu os olhos, os cabelos grudados na testa suados. A luz dos postes e dos carros se contorcia e se esticava em linhas esquisitas. Ela riu. Abriu ainda mais os grandes olhos negros juntamente com os lábios como se estivesse conectados por algum mecanismo escondido dentro das marteladas do seu cérebro. Ela riu, porque naquele estágio alcólico, parecia ser a coisa mais pertinente a se fazer. Alguém riu também. Mais alguém.
Sabe que alguém a pegou nos braços e levou até um lugar barulhento e depois pra um lugar escuro. Era uma voz macia, e ela sempre respondia que não. Sentia pele áspera tentando levá-la pela mão, pele áspera em sua nuca, dedos pontudos na cintura. Ela dizia não sem fazer ideia do que negava, mas parecia mais seguro que sair topando tudo. Viu que vultos foram e voltaram e alguém pareceu conversar longamente, uma voz fininha e monótona, insistente. Uhum, ela dizia Uhum uhum, claro. A pessoa insiste mas ela só quer dançar e ao levantar cai. E bate o queixo em algo, e ela ri do lábio ficando vermelho e bonito. E Alguém a segura por trás e ela tem medo. E as cores e as luzes tremem e ficam mais fracas, e o corpo vai ficando dormente.

Toda noite, a irmã Maria de Anunciação tem esse tipo de sonho. Toda noite ela aguarda esse sonho, esperando o dia que terá coragem de escapar e colocá-lo em prática. Não teve.

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Ribalta

feriano
Certas pessoas tem esse prazer convulsivo por demonstrar seus problemas em público, como forma desesperada de chamar atenção. Elas exprimem sua dor dramaticamente, aos urros como a pedir o ar da ribalta em suas infecções, em seus cânceres. Lá está a senhora Capitulina, a reclamar do peito. Geme, dolorida, tentando mudar os focos da conversa para a sua direção. A outra pode ser a mais bonita, mas a que será abanada e quem sabe até, glória, carregada, será ela.
Mãos ao peito, revira os olhos trêmulos, pede a mão de alguém, fala ao filho, agora atento, que o ama e não quer perdê-lo. Blá, blá blá de leito de morte.
Com o circo armado no meio do parque o filho separa-se da esposa segurando as mãos da mulher que "o gerou com o próprio sangue e que não quer morrer naquele lugar sem seu pobre e amado filho". A vizinhança se acumula ao redor da senhora, querem chamar uma ambulância, mas ela "melhora".

Mais tarde enquanto a senhora Capitulina escorria o macarrão aos assovios, tira do meio do decote de rendas entre os seios murchos da idade que tem o dinheiro que ganhara inda agorinha do filho para os remédios, pensando em como seria terrível não ter dinheiro pra jogar no cavalo, depois do sonho que teve naquela noite, e que o dinheiro que o outro mandava nunca dava pro cigarro e pro jogo. Colocou-o ao lado do cinzeiro, e numa tragada deu mais uma mexida no molho de beringelas, pensando que o filho bem poderia ter namorado uma mulher mais rica. Menos sonsinha.

A pontada foi tão forte que fez com que ela perdesse o equilíbrio, e até a visão se embaçou. Não conseguiu berrar, o cigarro voou pelos ares, a panela de molho emborcou pelo fogão molhando-lhe a camisola de chita. Capitulina caiu sobre os braços, de mal jeito, a respiração faltando, o coração explodindo.
Sem platéia, sua respiração foi abandonando o corpo numa poça de molho de tomate pronto requentado.

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Disfuncionalidades

feriano
O mundo num clique. Num twitt. Num f5.
A velocidade da informação entorpece. Acostuma. Traz maus hábitos, aqueles que não tem nada a ver com os da geração Rock'n roll. Tudo fica mais rápido, e mais devagar. O pagamento, via Homebanking, dá falha na página. O boleto não carrega. A empresa não recebe confirmação. O número de segurança não aparece. O vídeo falhou no meio, assim como o download da série. Mas na internet, você não "retenta" as coisas, você desiste delas. Passa pra próxima possibilidade. A próxima compra. A próxima punheta eletrônica. O próximo f9 no chatroulette, cada vez leva menos tempo, menos segundos. Uma série de possibilidades falhas que você ignora, lixo, spam. Mesmo o que chama atenção é tão rápido e efêmero, mania da semana, do dia, trending toppic da hora. Conhecer tanto, em tão pouco tempo, e não conhecer nada a longo tempo. O que é marcante? O que fica na memória? O viral do vanessão? Jeremias locão? Colírios?
Uma época de muitos acontecimentos e poucos pra se lembrar.

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e Cítrico

vilao
*
Quando o doutor precisou afastar os cabelos da moça, sentiu um cheiro muito bom se desprendendo deles. Enquanto ela narrava suas dolorosas desventuras, ele mudava marotamente de posição, afim de captar um novo detalhe, ou perceber alguma nova característica do odor que lhe enchia as narinas. O cabelo dela, tinha um cheiro doce e cítrico que se desprendia em camadas, quando este balançava, inebriante. Fazia-o ter vontade de mergulhar os dedos naqueles cachos, e os lábios naquele pescoço.

**

Quando o moço sentou na cadeirona do doutor, este pediu imediamente que ele ajeitasse a postura para que o exame pudesse ser realizado.Sem cerimônia ajeitou o queixo do garoto com a mão, arrumando-lhe a cabeça numa postura ereta, enquanto esse arrepiava-se com a surpresa do ocorrido. Um cheiro amadeirado e cítrico subiu pelos dedos grossos dele, subindo pela face do menino que avermelhava-se sutilmente e adentrava pelas narinas que se dilatavam constantemente, buscando sorver mais ar com aquele cheiro tão bom. Não pode evitar fitar os olhos verdes do seu médico, e desconcertado, desviar-lhes arrítmico em direção ao chão.

***

Quando outra moça reconhece este na rua, faz com que ele pare para lembrar dela. Claro que ele lembra. Claro que eles se cumprimentarão, com os três beijinhos característicos. No primeiro beijo, ela tocou barba e pele macias, e no arranhar desta, se desprendeu um odor almiscarado e cítrico que subiu os lábios e encheu as narinas, atraindo como imã o segundo e o terceiro beijos cada vez mais pra perto da zona molinha do canto da boca, pedindo solícito um "beijo na trave".
Ela não se afastou, passou a conversar muito de perto, a tocá-lo no braço sem motivos e a revirar lembranças amorosas passadas, de ambos.

****

o marido beijou-a por convenção, rapidamente no lábio. Antes que pudesse se afastar para perguntar sobre outra coisa banal, puxou-lhe a boca com força contra a dele, mordeu-a, esfregou-a. Os dois arfaram sobre a pia da cozinha, entre panelas e detergente.

*

A moça Foi novamente ao médico na manhã seguinte.

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Outro lado

feriano
Quando o cara veio de longe eu já tinha notado que ia ser fácil. Bati uma pro camarada do meu lado, ele me deu a liga e fomos pra cima do mané. Ele tava ouvindo o fone e segurando o celular, o poita. Vinha balançando toda a banha inútil dele, mexendo aquela boca nojenta enquanto balançava a porra da cabeça que nem retardado. A parada ia ser rápida. O Diego cercou de um lado, eu fui pelo outro. O Diego foi falando com o mané pra ele parar e ficar quietinho, mas o feladaputa tava com música alta e nem deu trela pra nois dois. Como assim porra, ia tirando a gente? Não deixei barato, já arranquei a porra do celular da mão do puto, e o Di empurrou o viadinho pra cima dos orelhão. Vai se fuder que cara lerdo. Ele ficou olhando, que nem retardado, olho de pexe morto, arregalado. Gordo puto. O Di berrou com ele, pra ele baixar a bola, eu também mandei ele ficar quietinho, não gritar. A putinha nem ia gritar, devia tar se cagando todo o viado, porque não falava porra nenhuma, só ficava lá com aquela cara de debilóide, olhando pra gente sem se mexer. Até pensei que o puto podia tar dando uma boa olhada na nossa cara pra bater uma pros Meganha, ia dar treta se fosse, catei o Di e me mandei. Aquela porra. O Di já foi falar com os carinha que ele tinha esquema pra arruma uma grana, um tio que revende essas merda, mas ele nem tava. Fiquei esperando o Diego levar um papo com outros camaradas, se não rolasse, a gente ia ter que tentar vender pra quem passasse, na outra rua, que ali na Hercílio nem dava liga. Liguei o fuckfone do viadinho. Fuckfone. haha. Tinha um papel de parede de putinha, um desenhinho afrescalhado, só podia ser viado mesmo. Botei alguma coisa pra tocar, mas só tinha aqueles metal dos belzebu do diabo, nem curto essas parada de gay que dá o cú pro demo. Dei uma fuçada nas fotos do puto, tinha muita foto de guria, umas puta gostosa até, e tinha bebê, e uma família feia lá, um povo mais feio também. fuço os joguinhos do cara, ouço um pouco do outro rock, aquele não tão do demo e fico viajando na lista de telefone sem noção do figura. Ele tinha só amigo retardado pelo jeito, que porra. Tem foto dele com uma mina, dum zóião verde, um monte, deve ser a mina dele. Peituda, gostosa. Ele é muito retardado, devia ter socado aquele puto quando vi ele a primeira vez. O Di vem e cata o cel da minha mão. Eu fico puto, porque tava vendo aquela porra. Ele nem quer saber, já vai vender pra uma mina gorda que tá voltando do trampo e tá felizona porque queria um celular. Tá baratão, ela fica dizendo. É, alguém nesse mundo tem que fazer as boa ação hehe. Eu pego a minha grana e já sei direitinho como eu vou gastar, e penso que a próxima vez que ver esse filhodaputa na rua, acho que vou berrar que a mina dele é gostosa. Só pra ele ficar putinho. Isso. Ah, que se foda.