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Biscoitos e Estrelas

  • Sep. 4th, 2007 at 11:30 AM
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A menina disse que havia migalhas.
"Migalhas, ali!"
Apontou. Eu afastei os grãozinhos da barba e sorri.
"Obrigado".
"Bons esses biscoitos" Eu disse.
"É..."

Naquela manhã de terça feira, iria encontrá-la cantando e dançando sobre uma poça d'água. Chamou-me. Deixei que dançasse mais um pouco, afinal, a hora era chegada, e mais tarde, não mais poderia dançar.

Trançou os cabelos e prendeu-os com uma fita roxa. Correu pelo capim ralinho, dando pulinhos. Empurrou um e outro.

"Já chega!" Eu disse!
"Mais um pouco vai..."
"Tá..."

Aproximou-se lentamente do menino sentado sobre um toco de árvore cortado. Atravessou seu peito com as mãos nuas e balançou de leve, com o indicador a alma da criança. Esta jogou-se ao chão, rindo como desesperado. Ela riu também.

"Porquê os humanos riem tanto?" Me perguntou.
"Porque não se preocupam. Não tanto quanto nós. Ao menos, não quando jovens."

Ela correu mais um pouco, subindo uma colina, observando entre as estrelas, o ponto de onde deveria invocar a chave.

"Me disseram que um dia vamos voltar aqui. Pra falar com o senhor triste..."
"Vamos sim. Mas vai demorar muito."

Ela observa o menino, enquanto é chamado pra casa, correndo pelo gramado ralo.

"Vou poder vê-lo novamente?"
Era o sorriso mais lindo do mundo. Não tinha como não sorrir de volta.

"Vai sim querida. Infelizmente, vai."

E anoiteceu.

*****************



Dizem que o senhor do tempo é um cara muito, muitíssimo chato. Quando Alessandra econtrou-o entre os céus tempestuosos de um planetinha amarelado, ele pigarreou.

"Que faz aqui?"
"Apenas passando"
"Passe logo"
'O tempo tem pressa?"
"Não paro. Nem posso."

Achou engraçada a idéia do tempo parando. Pensou em fazer cócegas nele para que ele soltasse aquele carretel imenso. Ah. O Carretel.
Senhor tempo enrolava o carretel rapidamente, fiando e fiando aquela trama imensa. Aquela trama inútil. Era uma trama colorida, com matizes quentes de tons avermelhados e amarelos. Estes iam caindo ao chão, azulados e cinzentos, até esfarelarem-se completamente. E lá ia o velho chato, incansável.
"Você não descansa?"

O velho ignorou-a. Velhos tinham essa terrível mania de ignorar os mais jovens, vingindo-se de surdos. Alessandra sabia que o tempo ouvia, e muito bem. Repetiu, petulante:
"VOCÊ NÂO SE CANSA?"
Sua careca pareceu reluzir, num dado momento em que olhou-a de soslaio, intimidador. Nesse instante, o fuso escapou-lhe do dedo por alguns segundos, e um buraco enorme surgiu na trama perfeita e complicada da manta.

"Maldita sejas menina! Olha o que fiz!"

Mas a menina não mais podia ouvir-lo. Era costume dos mais novos, deixar os idosos falando sozinhos como se fossem loucos. Vingativa a pequena. Estendeu a mão até a estrela mais ao norte e desenhou um longo traço até a outra estrela. Não tardou a surgir em meio a umn círculo vermelho, o pequeno Diabrete.

"Chamou?"
"SIm."

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