Cobriu-a com os braços. Imensos. Arrepiou-lhe os pêlos em cantorias infantis, assopradas de leve em suas coxas, enquanto ele desenhava versos sobre a pele brilhante. Não queria dançar valsas, ou mesmo se embebedar com vinho português, ou escorregar por uma parede de lantejoulas. Queria estar ali, naquele momento estranho e silencioso, em que traumas ou desesperanças se juntavam num ponto de fuga muuuuuito fora do papel. Sentia naquele abraço apertado, um calor intenso e simples. Virou-se. Queria fitá-lo nos olhos. Podia ver naqueles olhos escuros um bando de personagens de desenhos animados a cantarolar modinhas. Havia agora um sorriso, envergonhado e um baixar de olhos. Os cobertores repuchados, roçavam-se e havia algo de único naquele instante. Não existiam coisas como "te amo muito" ou beijinhos, ou apertões ou abraços. Era o foque de um olhar cintilante, que acima de tudo comprovava uma certeza dupla. E não haviam palavras para descrever. Apenas olhares. ninguém deveria morrer, sem esse olhar.


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eu te amo, muito, viu, meu escritor fodão : *