Escorreu-lhe pelas ancas, um suor manchado de vergonha. As gotas foram parar-lhe aos pés pequeninos, entre os dedos que pressionavam-se agoniados. A garrafa de cerveja vazia bateu na cama, fazendo um som metalicamente vítreo.
Haviam muitas mãos, ou pareciam haver muitas mãos, e muitas bocas também.
A mulher fez-se universo em um segundo, enquanto seus braços macios de luar erguiam-se via lácteos a revirar o ar e a fazer ondas com ele. A garota dos sonhos do outro, que serpenteava entre suas idéias e vagava por sua cachola infinita, sorria-lhe nua a bailar dancinhas de seu passado, entre brumas que não molhavam. O queixo fininho, os dedos longos. A garota.
Fumou-se o cigarro esquecido na borda da mesa, enquanto ele, obcecado, percorria os próprios pensamentos, ávido por mais imagens recordatórias, nítidas ou não, desejoso como que de alimento, desejoso dela.
Ainda podia sentir de levinho o hálito próximo ao pescoço, fazendo pelinhos eriçarem, roubando um sorriso aberto de dentes amarelados. Ela estava ali, acariciando seus cabelos, branca como todas as olências do Cruz e Souza, os dedos longos passando lentamente em seu couro cabeludo.
Caneta em punho, num caderno velho pôs-se a escrever. Mantinha vivas há tempos, todas as lembranças que um dia a memória lhe levaria sem pestanejar ou mesmo avisar. Escreveu como um louco, olhos vidrados. Precisou de muitas, muitas palavras pra descrever cheiros e sabores, e mais muitas outras para descrever outras coisas indescritíveis.
E continuou lá, numa dança triste, a moça do sonho em sua brancura de estrela, encerrada em páginas escritas, presa pelo autor apaixonado que não a deixou mais partir para outras histórias,obcecado que estava.
Num dia fatídico, com o fogo, foi-se o homem, e com ele a paixão e a mão que escrevia.
A moça vestiu-se de nuvem, aguardando sorridente para viajar por outros caminhos, escorrendo graciosa da caneta d'algum poeta, ou dos dedos de uma contista de olhos penetrantes.
Mas foram-se também as folhas e os cadernos, e sua brancura melodiosa tornou-se cinza, desconhecida e fumegante.
Haviam muitas mãos, ou pareciam haver muitas mãos, e muitas bocas também.
A mulher fez-se universo em um segundo, enquanto seus braços macios de luar erguiam-se via lácteos a revirar o ar e a fazer ondas com ele. A garota dos sonhos do outro, que serpenteava entre suas idéias e vagava por sua cachola infinita, sorria-lhe nua a bailar dancinhas de seu passado, entre brumas que não molhavam. O queixo fininho, os dedos longos. A garota.
Fumou-se o cigarro esquecido na borda da mesa, enquanto ele, obcecado, percorria os próprios pensamentos, ávido por mais imagens recordatórias, nítidas ou não, desejoso como que de alimento, desejoso dela.
Ainda podia sentir de levinho o hálito próximo ao pescoço, fazendo pelinhos eriçarem, roubando um sorriso aberto de dentes amarelados. Ela estava ali, acariciando seus cabelos, branca como todas as olências do Cruz e Souza, os dedos longos passando lentamente em seu couro cabeludo.
Caneta em punho, num caderno velho pôs-se a escrever. Mantinha vivas há tempos, todas as lembranças que um dia a memória lhe levaria sem pestanejar ou mesmo avisar. Escreveu como um louco, olhos vidrados. Precisou de muitas, muitas palavras pra descrever cheiros e sabores, e mais muitas outras para descrever outras coisas indescritíveis.
E continuou lá, numa dança triste, a moça do sonho em sua brancura de estrela, encerrada em páginas escritas, presa pelo autor apaixonado que não a deixou mais partir para outras histórias,obcecado que estava.
Num dia fatídico, com o fogo, foi-se o homem, e com ele a paixão e a mão que escrevia.
A moça vestiu-se de nuvem, aguardando sorridente para viajar por outros caminhos, escorrendo graciosa da caneta d'algum poeta, ou dos dedos de uma contista de olhos penetrantes.
Mas foram-se também as folhas e os cadernos, e sua brancura melodiosa tornou-se cinza, desconhecida e fumegante.

