Faz algum tempo que o celular me põe pra fora da cama, tocando rammstein insistentemente. Após duas vezes apertando a tecla soneca, me obrigo a levantar de lá aos trambolhões. E lá estou eu, com ele em punho, a checar as horas durante todos os procedimentos: Banho, café, escovação de dentes,enfiação de tudo quanto é necessário e desnecessário na mochila, correria até o trabalho. E no caminho, vou ouvindo alguma coisa de algum podcast que baixei na noite anterior e enviei via Bluetooth do notebook pro celular ou alguma mp3 que minha namorada botou pra ouvir o final de semana inteiro a ponto de eu querer ouvir mais algumas muitas vezes. E torno a ver as horas, pra não me atrasar pro almoço, nem pra van que me leva pra faculdade, nem pra voltar de van, nem pra não demorar no intervalo. Lá vamos ligar pra casa ver se tá tudo bem, ligar pros amigos e combinar coisas, ser encontrado pelo povo do trabalho para fazer alguma coisa urgente, mandar mensagens saudosas pra minha guria lá de longe, na expectativa da vinda dela pra perto logo, ligar, receber ligação. Essas coisas que não existiam quando nos pendurávamos nos cipós verdinhos e que agora fazem uma puta falta. Aí você compra aquele celular, da Sony ericson, marca que está acostumado, que gosta e talz. E Ele pifa, já nas primeiras semanas. Você não tem mais indicações de nada, se atrasa. Não te acham pra nada. Não consegue marcar nada. Não consegue ser avisado de imprevistos, não ouve música, não consegue mais manter contato com a garota que gosta, que tá lonjão. Um caos, que vai se estendendo enquanto o negócio não tem solução. A loja joga a culpa na empresa. A empresa diz que conserta, e manda de volta igual.E demora, e demora. E você cada vez mais aflito. Vai comprar outro celular pra esperar o seu ficar pronto? Alugar? Catar? Não sei. Sei que sobrou tempo talvez pra observar a fumaça e ouvir o ruído estrondoso da cidade acotoveladora. A grande corporação manda novamente esperar, “sua preferência é muito importante para nós.” Mensagens eletrônicas, autômatos cheios de gerúndios, colocando você em padrões de círculos e cones, e insistindo em tentar te encaixar um triângulo. E você esperando. Ainda.

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