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Sonho (sonhei isso de verdade)

  • Jul. 23rd, 2009 at 10:06 AM
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Não sei quanto tempo fazia que tinha pegado no sono, com um exemplar de “A vida como ela é de um lado da cama e um de “porquê ler histórias infantis Brasileiras” do outro. Tudo começava daquela forma direta e sutil com que começam os sonhos. Havia muita bagunça numa casa, que talvez fosse a minha. Íamos viajar, haviam malas por todos os lados, de todos os tamanhos. Eram empacotadas verdadeiras trouxas gigantes de coisas. Minha namorada, a Ruko insistia em me chamar para arrumar nossa mala, e queria levar uma quantidade gigantesca de perfumes dentro desta que provavelmente seria carregada por mim. Pedi que ela não levasse tantos e ela tentava me convencer de que todos eram necessários.  Saí com um primo, o Leonardo  e botei na cabeça que deveríamos levar um banquinho, que ele seria imprescindível. Reviramos algumas mesas, procurando o melhor para levar, e na cena seguinte eu estava no meio de uma espécie de shoping gigantesco, tipo aqueles de Brusque a perder de vista. Tinha bilhões de tipos de lojas, elas faziam curvas sinuosas e bizarras para vários lados. Ao meu lado estava uma amiga, a Pajeh, que resolveu sair para ver as lojas comigo. Vimos que na seção em que estávamos, haviam muitas lojas de caixão, e as pessoas experimentavam sorridentes caixões negros com bordas douradas, era bizarro até pra mim no sonho.  Chutei uma corrente  com um símbolo pagão quebrado, peguei e botei no bolso, tinha umas pessoas estranhas mais a frente. Andando um pouco, parei em algum lugar e subi num muro.  Um homem mais novo com aparência estranha, com roupas meio cafonas estava com uma mulher mais velha de olhar irônico, ambos tinham jeito do inteiror. Eles olhavam pra nós e cochichavam. Abri meu Noteboook para tentar dar uma olhada em algumas coisas, e ao entrar no Twitter, vi que eles estavam me seguindo (as fotos deles estavam enormes na tela inicial), e haviam deixado mensagens, os dois. Olhei pra Pajeh, e debandei na mesma hora. Fui em direção ao banheiro. Chegando lá tinha umas duas pessoas e chegaram duas depois de mim. Havia uma mulher sentada em uma mesinha, e ela mandou eu ir pro fim da fila. A fila havia aumentado um monte e eu falei com ela que as pessoas chegaram depois de mim. Ela estava sentada ao lado de outro cara, e tinha um olhar irônico no rosto:

___Fim da fila. Por favor.

Insisti que eles chegaram depois, mas fui pra trás deles. Ela insistiu: “pro fim da fila”, queria que eu fosse pro final de uma vez! Levantei e perguntei se ela queria que eu deixasse um espaço pras próximas 5 pessoas passarem na minha frente, e ela sorriu pra mim e em seguida pro cara ao lado. Mandei ela tomar no meio do cu dela, e recomendei que trepasse, e saí indignado do local.

 

Acordei com a bexiga doendo e corri pro  banheiro, realidade como extensão do sonho talvez.  Ri, claro.

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Do outro lado

  • Oct. 18th, 2005 at 3:59 PM
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Sua mão tocava a minha, assim, de levinho.
Só a pontinha do dedo, mas mesmo assim podia sentir aquele pequeno contato.
Como quem não quer nada, encostou metade da mão, enquanto ajeitava os cabelos longos. Olhou-me sorridente, enquanto continuava a mencionar o tal filme que assistira.
Remexi-me de leve, procurando uma posição melhor para permanecer sentado, colocando toda a minha mão sobre a sua, palma com palma. Notei seu corpo estremecer, e o leve rubor que acumulou-se em suas faces branquinhas.
Senti um friozinho abaixo do estômago, e me retraí, um arrepio gelado subindo a espinha.
Olhei no olhos, e esses me retribuiram, ainda que tímidos, exatamente da mesma forma.
Corajoso, ergui uma de minha mãos em direção a sua face, lentamente tentando tocá-la, e da mesma forma, fui retribuido com igual gesto. Foi engraçado como nossas mãos se cruzaram, não permitindo que estas se aproximassem mais. Rimos, ambos. Ouvi alguém a chamar-me ao jardim, algo havia de ser feito.
Despedi-me, e ao aproximar-me para um beijo de despedida, por um erro de cálculo talvez, nossas bocas se tocaram, lábio com lábio. Era uma pena que aqueles lábios fosem tão frios e rígidos. Quem sabe um dia, a barreira que nos impedia de permanecer juntos um dia fosse transposta. Eu ainda tinha essa esperança, no fundo da alma.
Sorri.
Levantei-me da cadeira, e com um pano branco, cobri o espelho, enquanto trocavamos um último olhar.
Somente eu, e mais ninguém.

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