ferin

Ao mar

O meu amar é um amar sem tempo.
Um amar sem medo de parecer bobo, um amar tão bobo que dá medo.
Um querer doído que dá voltas em torno de si mesmo com mil espinhos que se espinham em cadência ritmada. É crescente e decrescente, é onda do mar que sobe e desce, que enche a terra de espuma pra depois deslizar levinho, acariciando a terra que se enche de furinhos.
É um amar que esquece de ter medo, igual criança novinha que se pendura na sacada da janela, e não sabe o tamanho da queda que pode levar. Que volta a se dependurar e cada dia sobe um tiquinho pra chegar mais perto do telhado. Mais perto dos passarinhos. Mais perto das estrelas.
Meu amar é assim grande e assim pequeno e ele é gigante que não cabe no mundo mas consegue caber numa pessoinha tipo eu e ficar lá esperando pra sair eventualmente. Pra fazer o coração bater de um jeito desengonçado tipo pipoca no fogo.
É assim, bem simples de um jeito bem complicado. Felizmente, complicado.